Perguntas como "O que é literatura", "O que é cinema" ou "O que é arte" são proibidas. Carregam uma carga de subjetividade tão grande que, automaticamente, excluem do receptor a necessidade de uma resposta. É como se lhe perguntassem "Quando você vai morrer?".
A resposta é tão vasta que já não existem mais limites. É comum ouvir que literatura é como almofada, abridor de latas e porta-copos. (embora esta última não seja de todo equivocada).
Um professor que inicia sua aula com a pergunta "O que é literatura para vocês", por exemplo, pode, com a resposta, arrastar sua disciplina - com a resposta - até o quinto ano do curso.
Entretanto, isso não significa que perguntas subjetivas não mereçam resposta. Se lhe perguntam: "Em quem você vai votar para deputado estadual se não tivesse que votar naquele primo-irmão de sua mulher que prometeu a ela uma vaga de assessora na câmara?" (que não deixa de ser uma pergunta com altíssima carga de dificuldade e subjetividade), bem, neste caso você pode responder: "Votarei em um abridor de latas".(o que não deixa de ser mais útil que um deputado)
Henry Miller escreveu que o mundo não precisa de mais poesia, e sim, de pão com manteiga. Portanto, eu digo que precisamos de mais abridores de latas, e não de deputados.
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