Eu sei, eu sei. Entendo essa questão das prioridades. Aliás, falo sempre delas. O problema é que ler algo como, por exemplo,  “Entendendo a metafísica” é um pouco confuso para mim. Não a metafísica, mas as pessoas que lêem sobre metafísica. De todas as coisas ruins que fazemos, a maior parte delas, exceto os pecados, estamos sempre dispostos a esquecê-las. Mas existem pessoas que ainda lêem sobre essas coisas. Não que entender a metafísica seja um pecado, eu, por exemplo, entendo a metafísica, do meu jeito, mas entendo, vejam, certa vez acordei com essa definição de metafísica na cabeça: “metafísica é o pão de queijo que você irá comer amanhã antes mesmo de ser feito.” A questão é ler sobre metafísica. É como se a cada gripe fosse necessário – ou tara, maybe – ler um livro sobre doenças infecto-contagiosas. As coisas chatas, via de regra, têm seu grau de chatice triplicado quando discutidas. Um exemplo, teses acadêmicas.  Até coisas maravilhosas tornam-se chatas quando discutidas; exemplo maior, a literatura. Ficamos assim: coisas chatas devem ser tratadas como leões famintos: não mexam com eles; os deixem quietinhos no fundo da jaula.

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