BONDADE NOS OLHOS DOS OUTROS É REFRESCO

As pessoas buscam promoção. E promoção por meio do bem é hoje, certamente, o mais eficaz método para tal. Eu, bondoso como sou, poderia facilitar a vida daqueles que almejam alçar um degrauzinho a mais no valor da própria existência – aos olhos dos outros, claro. Eu criaria um referencial para a bondade e a maldade. Digo, os atos bons e ruins. Não entrarei aqui na questão do que é verdadeiramente bom ou o que é verdadeiramente ruim, pois geraria controvérsias demais; mas da bondade, inegavelmente espera-se dela uma contrapartida, e da maldade espera-se um castigo; seja você crente ou não no Divino.

Bem, para facilitar as coisas, um referencial cairia bem. Poderia ser uma página na internet ou até mesmo uma publicação anual como uma lista telefônica. Um blog não seria boa idéia devido a disparidade dos comentários que viriam; muito menos seria boa idéia uma revista; dado que as bondades e maldades viriam com fotos legendadas, entrevistas de bons e maus, carta do leitor, enfim, caos.

Um site estaria de bom tamanho. Com uma tabela ao dispor do internauta em uma página branca, mouse em formato de pomba, som de Enya; poderia-se consultar o valor de, por exemplo, ajudar uma senhora atravessar a rua; dar carona ao pobre coitado debaixo de chuva ou até mesmo salvar o último casal de ursos pandas existentes na Terra de um ciclone; o que estaria no topo da lista, course. Em uma outra lista, em uma página cinza, som de estilhaços, mouse em forma de forca, teríamos o valor – atualizado, sempre – dos atos do mal. Ei-los, por exemplo: lavar copos descartáveis, queimar mendigos ou soltar uma bomba atômica. Ambos os valores cruzariam-se para que o pobre bem ou malfeitor soubesse a quantas anda seu saldo mensal. Gráficos e dicas para melhorar o desempenho também estariam disponíveis. Links para empresas de consultoria não faltariam. Gurus também não. Locais propícios para o bem, tais como asilos e casas de apoio; e para o mal, tais como cruzamentos e passeatas também não. Links para ONG’s não estarão disponíveis, afinal, não servem nem para o bem nem para o mal. Na página inicial constaria daqueles que mais fizeram bem no mundo de acordo com cada região. Afinal, do que vale fazer o bem e não olhar e mostrar a quem? Aposto que não tardaria a surgir um novo curso na PUC, afinal, se já formam até escritores, por que não bem ou malfeitores?

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