Ás 11:54 escrevi:
"Queria escrever algo sobre a felicidade nas coisas simples da vida. Mas não queria recorrer a velhos clichês, por isso, após esperar alguns minutos de horas por inspiração, resolvi apenas relatar essa carência por palavras belas; ou até mesmo por soberbas linhas que revolucionassem a arte de descrever a felicidade nessas coisas simples; e como forma de celebração, desprendi-me da seriedade, me afoguei em meu íntimo e me elevei de um plano espontâneo e puro para outro, cheio de palavras empoladas e ritmadas. Essa busca por descrever foge daquilo que deveria ser um saber de todos: no íntimo, somos todos felizes, plenamente felizes, o que nos torna infelizes é a tentativa de distingüir tudo e todos; pecar contra algo que não precisa de ajustes, apenas funcionar. A vida."
Ás 15:03, após um pneu furado em uma avenida congestionada, escrevi:
"Pneu filho da puta! Pr'o diabo c'essa vida bandida!" As coisas simples da vida também podem ser coisas ruins da vida.
Você é aquilo que come, dizem. Ou melhor, você pode ser aquilo que os outros comem também, inclusive aquilo que eu como. Perigo, explico: pessoas são comparadas à animais - desde a pomposidade de um pavão até a promiscuidade de uma galinha - mas seria muito mais divertido e sensato compará-las a alimentos. Vejo em meu petrificado dia-dia desde pessoas cachorro-quente - frize-se ser aquele cachorro-quente com molho escorrendo pelas mãos e pelo queixo - à pessoas divinas.
Pessoas doces ou amargas; grudentas ou azedas, enfim, tudo nos remete àquilo que por fim colocamos dentro de nós. É claro, uns com mais elegância, outros com menos e a maioria sem nenhuma. Caso você seja uma jaca, esforce-se: você está á um passo de uma abóbora e dois de uma melancia. E quem sabe, com muito esforço, de bom kiwi. E não venha me dizer que gosto é gosto e que cada um tem o seu, porque não é verdade. Aliás, esqueça religião, política e até mesmo onde começa a vida; se existe uma verdade absoluta essa verdade é para o bom-gosto. Verdades absolutas existem somente para o bom-gosto e fugir delas é pecado, pecado grave, capital, mortal, enfim; acredite você nisso ou não. As três regras básicas do bom-gosto são: ou você tem, ou você não tem ou você finge que cada um tem o seu. Enfim, abaixo, apenas um exemplo de bom-gosto, pois o contrário seria de mau-gosto:

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