Imagine se essa tal de "caravana literária" vira moda? É, então todos irão reivindicar do nosso suado dinheirinho para sair por aí falando bobagens. Seria uma caravana por dia que iria aparecer. Uma das primeiras caravanas a surgir seria a "caravana dos donos de bazar e armarinhos". Sairiam pelo país com nosso dinheirinho para demonstrarem novos modelos de botões ou até mesmo para exporem as novas tendências do mercado das bugigangas e muambas.
Mas a caravana que mais faria sucesso seria a dos blogueiros. E eu estaria dentro, claro. Afinal, já não seria o meu dinheirinho. Ou melhor, seria, mas o dos outros também. Viajaríamos por várias cidades brasileiras. De preferência Salvador, Rio de Janeiro, Recife ou Florianópolis. Nos reuniríamos em uma grande mesa - de preferência em uma mesa de bar - e narraríamos algum post. Posts com imagens não seriam nem narrados. Ficariam lá, no data-show, para deslumbre dos convivas, digo, dos apreciadores de boa literatura bloguística, enquanto aguardaríamos o garçom descer mais uma.
*Essa caravana literária é uma das maiores fraudes de todos os tempos. Quem disse que eu preciso escutar escritores discutindo seus próprios livros? É apenas mais uma boquinha; mais uma forma que estão tramando para mamar na grande teta verde e amarela. Gosto por leitura é nato. A educação é que necessita de aperfeiçoamento e investimento. Os livros didáticos, por exemplo, são deploráveis, não incitam o aluno a usar a criatividade e muito menos a buscar o conhecimento por si mesmo. Por que esses autores, tão criativos e preocupados com a leitura dos jovens brasileiros não se reunem e busquem meios de transformar os livros didáticos em algo atraente e interessante? Mas não, isso seria pedir demais...
Veja bem, eis a maior fraude da história. Eu mesmo, quando me deparo com alguém que dispara um veja bem, automaticamente digo: -Sim, todos os dias, e nem preciso de óculos!
Nunca, mas nunca, em hipótese alguma confie em alguém que inicia uma frase com veja bem. E é justamente pelo fato desse termo ser tão perigoso que ele é tão infalível. Tiro e queda para aquelas situações em que não se tem nada pra falar; quando nem mesmo o próprio emissor confia naquilo o qual falará ou até mesmo pra ganhar um tempinho para pensar em alguma baboseira, dado que a pronúncia da palavra veja bem leva mais ou menos 4,5 segundos, dependendo do ritmo do farsante.
O veja bem é muito utilizado no mundo - perdoem-me o termo nauseante - corporativo, dado que cabe muito bem para aquele gerente mongol que precisa explicar para a alta direção o motivo da queda de produtividade antes que tenha algum de seus órgãos internos triturados. Ministros se utilizam muito dessa falácia, principalmente se ele for o da economia.
Eu recomendo o uso do veja bem para casos mais íntimos, como por exemplo, para explicar aquele atraso de 2 horas na casa da Dona Encrenca. Você ganha uns minutos e ainda, se tiver sorte, pode se livrar do tapa na cara.
Obs. Um amigo casado (talvez ex-casado) utilizou o veja bem quando foi pego pela sua digníssima exposa (ou ex) na cama com uma donzela que pelo seu azar não era sua digníssima. Mas o termo não se mostrou tão eficaz para casos tão extremos.
Na próxima lição veremos o quem sabe?.
Quem sabe eu não poste isso amanhã se não me der preguiça...
Eis aqui, gratuitamente, a primeira dica de uma série interminável e chatíssima que lhe ajudará a abalar as estruturas de qualquer conversa.
Defender uma tese. Eis uma grande arma para atrair para si toda atenção.
Eu mesmo preciso urgentemente defender uma tese. É, sabe, uma teoria. Mas nada no papel, não; apenas uma teoria para poder usar nas rodas de conversa e tal. Fuciona basicamente assim: alguém comenta alguma coisa no horário de café no trampo e você, sábio e descolado leitor do Contagioso dispara: - Sabe, eu tenho a seguinte tese...
Depois disso é só dizer qualquer besteira que já é suficiente. Dá todo um tom de auto-confiança e sabedoria. Trocar a palavra tese por teoria pode ser mais formal, podendo ser usada em botecos ou padarias. Pode-se ter uma tese ou teoria de qualquer coisa. Absolutamente qualquer coisa. Sobre a guerra do Iraque ou sobre a espuma da cerveja que, dependendo de sua espessura, diz o quanto o bebedor está com vontade de tomar a fermentada bebida.
Na próxima lição, veremos o veja bem, termo implacável para qualquer canastrão em rodas de conversa.
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