A CULPA É DOS ORIGINAIS

Eu sei de quem é a culpa. A culpa é dos reais, dos originais. E sabe por quê? Porque eles têm seguidores e esses seguidores se tornam grandes diluidores, como na literatura, daquilo que já foi um dia único, ímpar, diferente, idiossincrático. Nos fazem sentir nojo do original, pois deturpam tudo, estragam tudo, deformam tudo. Tentam ser os seus ídolos e acabam criando uma terceira pessoa, um mutante, um ser disforme e diferente do original - lógico - e da anta que tenta ser parecido com seu ídolo. E não precisa ser uma cópia de um ídolo; pode ser de um esteriótipo da moda, por exemplo.

Triste; muito triste.

Ps. Isso foi só para dizer que ontem, enquanto a GNT transmitia Robbin Willians dando um show de humor e genialidade no David Letterman, uma loira estúpida que não sei o nome e nem tenho a mínima curiosidade de saber quem é, se contorcia como uma centopéia no sofá do banhudo Jô Soares tentando parecer malandrona.

AOS NOSSOS OLHOS

Porque Ele na Terra detonaria um sentimento de crença tão magnânimo que talvez a Sua graça estaria comprometida pelo excesso de certeza. Seria basicamente assim: Sim, Ele existe, pode tudo, estou sob Seu domínio e eis que não posso continuar a fazer o que fazia pois agora sei que realmente Ele me olha, me examina, me supervisiona. Estaria o amor então dando lugar ao receio, como o receio que um trabalhador tem de seu patrão. Por isso o mistério. Dúvidas levam à sabedoria e certezas demais levam à displicência. Que continue o mistério. Grande mistério; muito maior que nós.

PRETÉRITO DO FUTURO

Não se pode falar em futuro quando se fala de Brasil. Eis, porque o Brasil vive um eterno presente, como se o futuro desse lugar estivesse preso a um novo presente a cada dia e assim por diante. Um mesmo presente sempre. O Brasil espera por um futuro de bonança da mesma forma que busca a todo momento seu passado. Procura se apoiar no passado não apenas para provar os problemas do presente, mas como para justificar problemas que ainda fazem parte do futuro. O Brasil ainda não tem autonomia nem de seu tempo; ainda não se localizou no presente para buscar um futuro de prosperidade. Olhar para trás pode ser importante para evitar novos erros, mas seguir os mesmos caminhos do passado que levaram à esses erros, esperando que algo novo aconteça só pode ser estupidez.

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