Para o Clube de Leituras:
Não li Dom Quixote pelo seguinte motivo: nobre ou não mas eis que o motivo foi a troca-troca. Troquei essa grande obra por Trópico de Capricórnio do Miller; por Ficções do Borges; por Via Crucis do Corpo da Clarice e pelo Túnel do Sábato. A troca não foi justa com o Clube de Leituras, mas foi para comigo; penso eu.
A minha vontade de ler Dom Quixote foi e ainda é proporcional à minha vontade de transar com a Zeta Jones (e que me perdoe o Rafael Galvão, amante convicto da bela).
Mas o grande problema na verdade está em "quando" lerei Dom Quixote, ou quando estarei lendo, pra gerundiar com tudo e acabar de foder o Clube. eu tenho uma lista de 50 livros que quero ler. Dom Quixote e Cem Anos de Solidão são alguns deles. Com certeza esses livros estão, não necessariamente nessa ordem, em 49º e 50º livro a ser lido.
Eu posso até ficar "apanhadinho" por alguma personagem do livro, mas a verdade é que agora não dá. Longe de mim deixar de ler o livro por causa do Cervantes, afinal, um cara que escreve 1.100 páginas de coisas que nem existem, merece, no mínimo repeito, mas eu o lerei quando estiver psicologicamente preparado. E, se nesse "quando" eu já puder comprar tempo em embalagens extra-grande no armazém do Seu Epaminondas, eu o lerei.
A minha participação no Clube de Leituras foi, portanto, nula, mas de certo ponto eu desabafei. Andei com o coitado do livro-tijolo dentro de minha mochila (no fundo dela) por meses, privando alguns estudantes sedentos por Cervantes aqui da universidade que "freqüento" e agora me sinto mal por isso. Pobres estudantes loucos por Cervantes...
Sentir-se só é algo bem traiçoeiro. Você se cobra por não ter feito o que sabe que realmente não deveria ter feito, mas que por uma razão desconhecida, que muito tem a ver com a Lei de Murphy, você se esquece de você mesmo; se esquece que a essência da felicidade está justamente aí, na sua cara, ao se olhar no espelho.
Geralmente, pra não dizer quase sempre, somos acometidos por uma sensação de querer abraçar o mundo; de ser visto e de ser lembrado antes mesmo da própria morte. É como uma sensação de querer virar mártir antes mesmo de ser herói. Embora os heróis não queiram morrer, o que não acontece com os mártires que forçam a própria morte para ganharem uma página ou duas em algum livrinho de história do ensino fundamental.
Eu ainda não compreendi o que é se sentir só e estar realmente só, e não estar só e sentir-se completamente seguro. Eu ainda aprendo. Preciso pegar um ônibus para o Nordeste e depois de dias de viagem com o traseiro quadrado poder dizer a mim mesmo que estou bem. Não precisamos das pessoas para sermos felizes, mas precisamos de contato com elas para aprendermos a lidar com a tristeza. Só as pessoas nos deixam tristes. E isso é inegável.
Não chega a ser a questão de sermos aceitos ou não em um grupo maiores de pessoas, mas sim, em aprendermos a aceitar nossos temores e nossos terrores; que aquilo que era bom agora é ruim; o que era não é mais; o que era amigo agora é inimigo; o que foi tinha que ser e que indubitavelmente existe um limite para tudo isso, ou seja, tem que se saber a hora de dar um basta.
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