As pessoas deveriam aprender a desistir; saber a hora de parar, de dizer "chega, vá pro diabo com isso". Mas é difícil, eu sei; afinal, já está arraigada em nossas mentes e em nossos valores a cultura do não desistir em hipótese alguma. Nosso imperador lulante do ABC até criou uma campanha para embutir mais ainda na mente dos brasileiros que nós não desistimos nunca, mas eu já desisti de escrever sobre o que ele faz. Bem, o fato é que se houvéssemos desistido de várias coisas, muitas das catástrofes mundiais não teriam ocorrido. Falo, é claro, de cagadas históricas. Exemplos: Lula e Hitler. Lula não desistiu de ser presidente do Brasil, embora tivesse tido essa chance por diversas vezes, ele nunca desistiu e deu no que deu: virou presidente do Bananão. Já Hitler soube desistir na hora certa, quando percebeu que decididamente jamais seria um grande pintor, ele desistiu e se tornou ditador. Troca errada? Sim, mas tudo porque ele não desistiu de ser ditador. Hitler era um brasileiro! Hitler nos poupou de quadros horríveis mas não poupou 6 milhões de judeus. Lula não nos poupa de seus discursos estúpidos. A morte não poupou o papa, mas o papa nunca poupou ninguém, já dizia a música. Noivos nunca desistem no altar, mas lá, de frente com o cara de saia, desiste-se da boa vida. Se você chegou até aqui é porque não desistiu de ler, e se não desistiu de ler, não se poupou de ter perdido minutos preciosos de sua vida em que poderia estar lendo, por exemplo, Borges ou Kafka.
Sabe,
Vocês não entendem. E sabe por quê? Porque vocês não chutam lata na rua; vocês não brincam com a faxineira; vocês não caminham por aí; vocês não dão risada do próprio tombo; não ficam em filas; não buzinam para a menina do outro lado da rua; não se abraçam completamente suados após o sexo; não comem na rua; não saem sem óculos escuros; não deixam celular em casa e não tomam garapa na praça. E vocês também não sabem usar a língua como ela deve ser usada; vocês se consideram diferentes e melhores, mas isso não é um bom sinal, pois ser diferente é justamente não se achar melhor. Vocês nunca transaram no carro; nunca leram no ônibus; nunca tocaram campainha e fugiram. Vocês nunca gozaram, sabe? Vocês sentem mais prazer assim, estando no andar de cima; no pedestal inglório.
Ah! vocês...
Não espere que uma obra do gabarito de "Crime e Castigo" ou "Memórias Póstumas" vá aparecer tão brevemente. Não seja tão inocente. Ainda vivemos uma fase de contemplação porque tudo o que mais queremos nesse mundo é criar alguma obra que supere as grandes e magnânimas. E isso é uma bobagem, ou não? Antes (é, isso mesmo, antes de tudo, lá atrás), não exisita nada para superar; apenas a si próprio. Sim, os caras eram loucos e por isso, ou por causa disso, eram geniais. Hoje não; os nossos loucos se julgam loucos apenas para parecerem geniais e acabam, dessa forma, não produzindo obra alguma.
Nossos loucos de hoje se auto intitulam "excêntricos" pois é uma forma de mascarar vossa carência criativa. Eu não sou tolo o bastante para ser excêntrico ao ponto de não pentear mais o cabelo para parecer genial, e não sou genial o bastante para escrever uma grande obra.
Mas quando eu for genial de verdade, aí sim, farei coisas bem esdrúxulas como usar meias brancas ou andar com uma lingua-de-sogra no bolso.
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