A interatividade de Machado de Assis com os leitores em Memórias Póstumas era uma previsão do surgimento dos blogs.
Como vocês não pensaram nisso ainda?
Como será a próxima geração? Quais as doutrinas e quais os valores dos jovens do ano 2040-50?
Os nossos pais eram ignorantes em sua maioria; não tiveram estudo e criaram os filhos sempre na base da “escola da vida”. Hoje, embora a população de alienados ainda seja significantemente alta, os jovens buscam, pelo menos, uma vida acadêmica; seja ela vazia e tosca dentro de um ambiente também vazio e tosco que existe dentro de uma instituição privada – que no caso recebe recorde de jovens em busca de um curso da moda (leia-se Jornalismo, Publicidade ou Direito) seja dentro de uma boa instituição pública, mesmo sendo esta povoada de professores orgulhosos de sua falsa excentricidade.
Na geração passada, os pais não estudavam, sabiam disso e uma pequena maioria conseguiu alcançar uma posição acadêmica considerável; eles criaram os filhos conscientes que não eram estudados e que esses deveriam se virar no futuro por conta própria.
Hoje não. Os futuros pais da futura geração de 2050, “acham” que sabem; “acham” que seu curso da moda irá fazer deles as grandes celebridades intelectuais do futuro ou empresários bem sucedidos, e que inclusive, a criação de seus filhos será moleza, baseando-se em uma sabedoria utópica. O resultado: uma raça “metamorfoseada” pela ilusão de seus pais.
Então eu penso: Como será a geração futura, proveniente de pais estudados mas supérfluos; informados mas incoerentes?
É bom que fique claro que a explanação aqui proposta fica apenas resumida à um âmbito educacional, mas é óbvio que outros valores estão embutidos, como valores morais e éticos. Também não se trata à uma crítica á como educar os filhos, afinal tenho 25 anos e não me vejo tão perto de ingressar na vida de pai, mas não deixa ser interessante e assustador um pensamento sobre isso.
Do Kafka, divagando sobre casamento em “Carta a meu pai”:
“...É como se alguém estivesse prisioneiro e tivesse não somente o trabalho de fugir, o que talvez fosse praticável, porém, além disso, e simultaneamente, o propósito de converter a prisão em um castelo de diversões para si. Se foge, não pode reconstruir o edifício; e se a reconstrói, não pode fugir.”
Que pena ler isso. Mas infelizmente é a verdade. E por ironia (ou azar) elas sempre estão por perto. Quando encontramos pessoas diferentes dessas, infelizmente acabam por algum motivo longe de nós.
Obs. Sou um idiota também.
Do Roberto Mangabeira Unger, na FSP de hoje:
"Longe dos embates de nossa política nasce outro Brasil. Vir ao encontro dele é a tarefa prioritária da alternativa a construir na sucessão presidencial de 2006.
A acreditar nos termos em que se dá o debate brasileiro, tanto à direita quanto à esquerda, o Brasil é país que se constituiria de elite internacionalizada e de massa miserável. Entre essas duas forças, mal se sustentaria classe média economicamente fragilizada e culturalmente desorientada. Essa visão desconhece o que de mais importante acontece no país hoje. E ajuda a explicar como as duas coalizões partidárias que dominam a política brasileira -a que governa agora e a que governava antes- entendem sua obra: agradar a elite internacionalizada e seus sócios estrangeiros e atenuar, com as sobras produzidas pelo crescimento que o acerto com os endinheirados possibilitaria, os sofrimentos da massa miserável.
Há, entretanto, classe média emergente e dezenas de milhões de candidatos a ingressar nela. Compõe-se essa classe de trabalhador subindo, não de burguês caindo. Não reconstrói o Brasil estabelecido; para isso lhe faltam os meios de representação política. Constrói Brasil paralelo. Saída da escola pública, estuda à noite em faculdade particular. Esforça-se para abrir empreendimento, para prestar serviço profissional ou para iniciar, de baixo, carreira em grande empresa. Envolve-se em vida associativa. Abraça ideal de auto-ajuda. Seu projeto de vida é o dos esforçados; sua moral, a de cumprir a promessa dada e exigir a responsabilidade individual. Serve como sustentáculo de muitas das igrejas evangélicas, erigidas por seus fiéis como baluartes contra os desmandos da sociedade em volta..."
Genial.É puramente simples: Essa classe média emergente é burra. Não acresce nada ao Brasil; não procura um fim, mas se utiliza de um meio para um bem-estar passageiro e exagerado, vazio e entrincheirado em um sonho de consumir, aparecer na Caras e ler Você S/A.
Uma coisa me veio à mente assim que o pobre coitado doutor do filme Jogos Mortais teve que cortar o próprio pé: E se a serra quebrasse quando ele estivesse ainda no meio do osso? O que faria? Quebraria como se quebra um cano quando falta ainda uma tirinha sem serrar?
Essa dúvida me provocou calafrios...
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