Ontem, pela primeira vez em toda a minha existência tomei uma decisão. Sim, uma decisão. Essa coisa terrível que você faz depois de pensar mil vezes e que assim que chega à um ultimato, ou melhor, quando você pensa que chegou, aí então você precisa pensar mais umas dez mil vezes para saber se aquilo que você pensou está certo.
Amava alguém. E ainda amo. Mas a situação era insuportável. E não existe data certa, não existe momento certo para que a mente comece a lhe dizer que algo está errado e que estará mais errado ainda no futuro.
Minha intuição mandou. E eu cumpri. Minha mente mandou e eu cumpri. Meu coração chorou mas eu não ouvi.
Ela entendeu tudo errado, e eu não soube me expressar. Agora ela sofre. E agora eu sofro por saber que ela sofre. Ela me chamou de covarde. Mas eu apenas cumpri com o combinado. Usei de sinceridade, e feri com minha sinceridade. Ainda a amo, mas o amor crescia a cada dia e se eu atrasasse a decisão ela seria mais cortante no peito.
Eu tentei dizer a ela que ainda a amo. Ela usava as palavras como tiro e sua munição era forte. Ela me via como um inimigo, mas como um inimigo poderia ter dedicado parte de sua vida á ela? Como um inimigo poderia tê-la respeitado como jamais ela foi respeitada? Mas foi justamente esse respeito que eu sentia por ela que fez com que fosse sincero, e enxergasse que eu estava errado em achar que futuro só era daqui há 10 ou 20 anos. Futuro pode ser daqui há três dias ou três semanas. Eu entendi que estava errado da mesma forma que ela havia entendido que estava errado no começo. Mas infelizmente eu tapei meus olhos com a venda da paixão e a convenci de que futuro era irrelevante e que o presente era o mais importante. E era. Mas o futuro mostrou sua face mal. Ele foi impiedoso, inexorável. Me chamou para uma conversa particular, me disse que ele já havia chegado e que o que eu estava vivendo já era uma parte dele que havia chegado.
E eu me assustei. Não pensei que fosse chegar tão rápido. E ele chegou implacável para selar algo que se transformaria em um passado nostálgico e inesquecível. Mas ela não entendeu. Ela não entendeu nada disso que eu acabei de escrever. Minhas lágrimas caíram por isso e ela não viu. Estou tentando consolá-la por aquilo que já esperávamos mas ela não quer conversa com aquele que julga ser seu inimigo.
Nunca em toda minha vida sofri tanto em saber que alguém também sofre. Ela me ensinou a viver. E eu a ensinei a antecipar a dor; uma dor que poderia e certamente seria maior.
Se devo desculpas, a única seria por eu ter aprendido, e de tabela lhe mostrado que o futuro não é amanhã. O futuro já é agora. Eu também aprendi. E a lição foi dura e implacável. Se doeu muito nela, imagine em mim. Mas no futuro – olha ele de novo aí – ele irá reservar coisas tão brilhantes e prazerosas a ela e a mim, que essa dor que estamos sentindo será apagado de nossa memória. Mas os bons momentos, ficarão como um elo entre um homem e uma mulher, que jamais poderão se lamentar de não ter tentado. A história de amor entre nós não acaba aqui. Apenas um capítulo termina para dar gancho à outro. Um novo capítulo, sobre aceitação e admiração.
O que mais me chama a tenção em grandes romances como Crime e Castigo, é a capacidade de certos personagens que até certo momento me pareciam supérfulos, exercerem, após certas páginas, tamanha importância na trama. E Dostoiévski me proporcionou isso. Ele me deu a chance de penetrar na alma de seu protagonista ateu, de vida fútil e alheio à tudo e à todos; de conhecer uma prostituta cristã (?!), e um veterano dependente alcoólico.
Filosofando - Um livro para se grifar
É um livro para se grifar. E frases para se usar em redações de vestibular: “certas cerimônias sociais levam os pobres a fazerem loucuras e gastarem os últimos recursos...”; “Os homens não mudarão nunca e não vale a pena modificá-los...”, ou ainda: “Neste mundo não há nada mais difícil que a franqueza e mais fácil que a lisonja.”
Casamento aberto – O blog do Andrei Siemiônovitch
Se a personagem de Andrei Siemiônovitch tomasse vida, ele certamente seria um grande amigo do Alexandre. Suas idéias de casamento aberto seriam debatidas à beira da praia de Copacabana e ele certamente teria um blog. Criou até uma teoria para os cornos: “...um efeito miserável de uma situação que degrada por igual os dois cônjugues.”
Dizer que as histórias de traição e ciúme são pura estupidez, até aí tudo bem; mas dizer que o homem deve ser mais evoluído que a mulher e acatar uma traição até ao ponto de arranjar para ela um amante! Bem, isso me cheirou a uma grande imbecilidade.
Aceitação
Aceitar o sofrimento.Humm..., isso não me cheira bem para o tipo de ato que Raskólnikov praticou. Que pessoa, em total sanidade mental , abdicaria hoje da liberdade, apenas para aliviar a sua própria consciência?
Mas ok, se na literatura vale tudo, que autor não hesitaria em dar um final feliz para um livro com uma história tão longa como Crime e Castigo?
Em suma, um bom livro. Da mesma forma que me prendia como um imã a não largar o livro por um minuto ou por me lamentar se necessário fosse fazê-lo, ele também me fez lê-lo em certos momentos por pura obrigação na expectativa de um grande momento.
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