Gostaria que dessem uma nota para essa redação na qual não ganhou nada em um concurso realizado na empresa.
Não temo as drogas. Temo as pessoas.
Esse composto químico, passaporte para a mediocridade, nada mais é que a constatação da incapacidade das pessoas de se alucinarem, por exemplo, com a loucura do cotidiano, com o berro de um chefe ou com o preço da gasolina.
Ou até mesmo delirando com coisas reais, como amores, amizade verdadeira e realizações pessoais. Tudo isso indo pelo esgoto em momentos de fraqueza do ser humano.
Fraqueza essa, que não passa de uma desculpa para aqueles que vivem em um universo onde a vida é uma mentira e o mundo é uma piada.
Se a válvula de escape para os problemas fossem assim tão fáceis e cômodos, viveria drogado pelo resto de minha vida!
Funciona mais ou menos assim: você compra soluções e paga com a vida. Um diabo caridoso, esperto e implacável.
No ventre, conhecemos a sensação do conforto, do deleite. No parto descobrimos a luz.
Com as drogas, conhecemos a sensação do alívio e da coragem sem fronteiras. Descobrimos as trevas e nos tornamos escravos.
A libertação dessa escravidão é opcional. Clamar a Deus e esperar um milagre repentino de nada vale. É mais uma forma de tirar de si mesmo o peso da cura dos ombros e passá-la para uma outra pessoa.
Não seria aqui um manifesto contra os usuários. Usuário, obviamente se for rico, pobre é maconheiro mesmo. Não seria um alerta, muito menos um conselho, pois é de graça e sendo assim não tem graça. Não seria um enredo de um filme, muito menos novela pois geralmente não acaba bem e final de novela sempre tem um final feliz. Aliás, viciados em novela sempre se tratam nas melhores clínicas e constituem uma família linda e maravilhosa com um casinha bonitinha com um cachorrinho bonitinho e um sorrisinho amarelo. Nunca acabam fuzilados pelo traficante que não pagaram ou pela polícia em uma blitz.
Seria apenas uma simples redação, para um concurso, de um simples mortal que decidiu, por livre e espontânea vontade, a nunca aderir a onda dos moderninhos e descolados. Que preferiu ver o mundo da forma como ele é, mas que não caiu em suas armadilhas.
Mudar o mundo todos querem, mas na hora de mudar a si mesmo... aí já é uma outra história...