BAR

Então o modelo perfeito de barzinho para mim seria aquela com uma área sem-música e outra com-música. Algo como o já existente modelo área fumante e não-fumante.

Alguém, algum dia, imaginou que Zé Ramalho, Djavan e Marisa Monte tocando ininterruptamente seria uma boa idéia.

Mas não é.

Simples assim.

SIMPLES ASSIM

Cinema, Aspirinas e Urubus.

Sexo, Mentiras e Videotapes.

Cinema, Mentiras e Urubus.

Sexo, Aspirinas e Videotapes.

Crescei e multiplicai-vos!

UMA LUZ NO FIM DO FORNO

Pizza boa é pizza muda e político bom é político quente. Confuso, mas afinal, tudo anda mesmo às avessas; um caos ordenado, diga-se; mas se existe algo que continua nos seus eixos é as coisas que sempre não dão certo. Mas quando não dão certo para uns, certamente estará dando para outros. É uma troca – nem sempre justa – de que não importa o quanto torcemos, mas o Brasil, às vezes, quase sempre,  vai ganhar a copa e é isso o que importa.

 

Na política, por exemplo, as coisas sempre dão errado; para nós, é claro. Só dá certo mesmo pelo feriado das eleições; mas as eleições são sempre aos domingos; é como bilhete premiado perdido.

 

Política é uma festa, uma grande festa que não aceita povo penetra e na qual somos eternos garçons daquilo que abominamos. Ou celebramos? Ou invejamos? Ou aceitamos? Mas nos acostumamos ás coisas erradamente nos seus eixos; tanto é que nos esbaldamos com CPIs porque sabemos que não existe nada mais corretamente mal feito e meticulosamente sem efeito do que uma CPI, nem nada mais desconexo que a corrupção: dinheiro nosso nas mãos de gente antes nossa. E não existe nada mais fácil que buscar culpados e se eximir de culpa. Pois assim não há condenação.

 

Mas não dá para mandar a corrupção para o espaço de um dia para o outro; mas dá para mandar um tenente-coronel. É mais fácil, mais simpático, mais sorridente. Quiseram mandar um caseiro para o espaço, afinal, honestidade, só na lua.

 

O Brasil funciona, do seu jeito, mas funciona. É um político cassado; mas na ativa. É um relógio sem corda, sem pilha, sem ponteiros, mas certo duas vezes ao dia: quando dorme e quando lembra. Mas quando lembra, logo esquece. Ao contrário do que dizem, tem boa memória: assim que se lembra, lembra logo de esquecer. É como alguém que conhecemos que nada sabia antes mesmo de acontecer. Já nasceu traído e esquecido.

 

E nós continuamos assim, dia sim, dia não, ao gosto do freguês. E o freguês, povo, nem sempre tem razão. A ilusão já não é mais vendida; é gratuita; a granel. Nossa esperança constante nos rouba a paz tão sonhada camuflando verdades e atrasando o futuro. Mas o tempo que não se meta conosco! Mentimos para nossa própria história; e não será a tal da ordem que irá nos impedir de chegar a lugar algum!

COMO UM ABRIDOR DE LATAS PODE SALVAR O BRASIL... E A LITERATURA, O CINEMA E A ARTE

Perguntas como "O que é literatura", "O que é cinema" ou "O que é arte" são proibidas. Carregam uma carga de subjetividade tão grande que,  automaticamente, excluem do receptor a necessidade de uma resposta. É como se lhe perguntassem "Quando você vai morrer?".

A resposta é tão vasta que já não existem mais limites. É comum ouvir que literatura é como almofada, abridor de latas e porta-copos. (embora esta última não seja de todo equivocada).

Um professor que inicia sua aula com a pergunta "O que é literatura para vocês", por exemplo, pode, com a resposta, arrastar sua disciplina - com a resposta - até o quinto ano do curso.

Entretanto, isso não significa que perguntas subjetivas não mereçam resposta. Se lhe perguntam: "Em quem você vai votar para deputado estadual se não tivesse que votar naquele primo-irmão de sua mulher que prometeu a ela uma vaga de assessora na câmara?" (que não deixa de ser uma pergunta com altíssima carga de dificuldade e subjetividade), bem, neste caso você pode responder: "Votarei em um abridor de latas".(o que não deixa de ser mais útil que um deputado)

Henry Miller escreveu que o mundo não precisa de mais poesia, e sim,  de pão com manteiga. Portanto, eu digo que precisamos de mais abridores de latas, e não de deputados.

BOA NOITE E BOA SORTE
Nada como um bom pesadelo para nos presentear com o amargo sabor do porvir. Você acorda suado, tremendo e ainda agradecendo. É um implacável filme conselheiro, de nós para nós, sem branduras, sem frescuras. É gratuito e é sangue do próprio assassino. É irreal, mas tem a força maior que qualquer conselho de joelhos. Assusta, adverte e esclarece. Logo se esquece. Ou acontece. Vaticínio ou não, um novo sempre aparece.
C L T DA LITERATURA

Um curso já criaram. Daqui à pouco, se é que já não existe, haverá sindicato e, conseqüentemente, manifestações e greves; carteirinha e cooperativa. É da L. que falo; essa que, infelizmente, precisa de escritores e estes, ao invés, a renegam; a distorcem; a esculhambam. Talvez seja a mania de socializar, humanizar, organizar tudo. Mas tem quem faça bonitinho frente à um Mac. Sem chorar, sem estar à beira do suicídio. Para se fazer L. não é preciso dor, muito menos estar estar sob uma guilhotina; basta criar algo bom de se ler. Basta ler um pouco antes de escrever. Basta escrever aquilo que gostaríamos de ler; isso, claro, depois do mofo do fundo de uma gaveta.

BAD-SELLER

Na onda de “O Código Da Vinci”, idéias encomendadas para um best-seller:

 

 

Idéia 1: Possível descoberta de um extraterrestre nos laboratórios da NASA.

Um suposto detetive russo infiltrado na agência norte-americana exibiria ao mundo imagens de um bizarro extraterrestre capturado no Novo México em meados da década de 90 como parte de um plano dos imperialistas para dominar o mundo. O autor do romance, um francês radicado nos EUA, iria para a corte marcial justificar a origem das imagens publicadas. Tão logo seria produzido um documentário na BBC – e conseqüentemente televisionado pelo Fantástico – acerca dos documentos secretos daquele que seria um anti-serviço prestado pela agência à humanidade. No cinema, o detetive seria vivido por Russel Crowe.

 

Idéia 2: Qualquer livro que tivesse sua publicação proibida. Por um tempo, lógico.

Vejam se gostam: Ativista se infiltra no governo de qualquer país árabe e descobre que o Alcorão havia sido usado como ponto de partida para as atrocidades cometidas por Hitler após documentos secretos encontrados em um bunker em Dresden. Ataques á livrarias que vendessem o livro seriam de praxe.

 

Idéia 3: Mago utiliza-se da alquimia para descrever e solucionar problemas do carma político brasileiro

Em um equivalente jamais pensado por qualquer intelectual brasileiro, Paulo Coelho desvenda os mistérios da corrupção por meio da magia. Trechos como “O jovem político estava prestes a cruzar uma fronteira com um mundo novo; uma orgia espiritual sem precedentes na qual travava uma batalha com sua consciência. Batalha essa travada com àqueles que depositaram nele não apenas confiança, mas os rumos de suas próprias vidas: o eleitor, que vê,  dia após dia,  seu castelo de areia desmoronar, mas que galga estar sob pilares de um reino que transcenda os limites democráticos e o conduza a um verdadeiro Éden da honestidade.”, fazem do romance um dos maiores e arrebatadores lançamentos dos últimos tempos do mercado editorial brasileiro e mundial. Narrado em primeira pessoa, o livro  relata o dia-dia de um jovem infiltrado nos meandros de uma eleição do grêmio estudantil de sua escola profetizando sobre seu futuro político no país do mensalão.

 

Idéia 4: A volta do criador

A história da vinda de Deus nos dias de hoje e sua cruzada cristã por meio de técnicas modernas como email, imagens subliminares em programas dominicais televisivos e vendedores de produtos AVON narrados por Dalai Lama. Sempre infiltrado, claro. Analfabetos, digitais ou não, seriam hereges. 

NÃO ACREDITE

Novo golpe baixo nas caixas postais: "Olha, não costumo repassar estas correntes da internet, não; mas essa vale a pena..."

Não, não vale. Nunca vale.

SENTE-SE AQUI

Porque sim, você pode tratar alguém com indiferença. É seu direito. Dever talvez. É um direito inclusive dos animais, dos insetos e até mesmo dos móveis. Seres inanimados também têm esse direito. É o que chamam de combinar, ornar.

Ok, tal móvel ou tal peça de roupa não combinará jamais com outra não pela estética, mas pela indiferença de uma delas ou até mesmo das duas para consigo mesmas. Involuntariamente, pois não passam de cadeiras e mesas.

Mas ignore respeitando. Eis o que faço. É uma forma de mostrar a elas um lugar no mundo que elas não têm; e mostrar o nosso, que elas sonham em ocupar.

POESIA
Não falta poesia no mundo. Faltam pessoas, boas pessoas, para verem poesia em tudo; em qualquer coisa e em qualquer lugar.
DESPRETENSÃO EM TARDE CHUVOSA
Minha prece maior, para ti, será um beijo descontrolado. Longe do mundo; perto do coração. Subindo os montes da paixão. A galope, virão reis e deuses aprender o segredo do amor. Distantes dos olhares; seremos dois apaixonados no descompasso e no torpor.
CHEIRO MUSICAL

Boa música usada como desodorizador de ar. Um método já utilizado nas ruas, nos interiores dos carros e em portas de bar. Música, boa música, é o melhor Bom Ar para as ruas que existe. Bom Ar é unanimidade. Ninguém entra em um banheiro e reclama do bom cheiro de Bom Ar.  Não, todos gostam de Bom Ar. Exceto em excesso. Boa música é boa música. Até em excesso, pois não existe excesso quando algo é absurdamente bom. Se enjoa não era bom o suficiente para durar. E se querem que eu dê nome aos bois, não darei. Boa música é boa música. Ponto. Posso até gostar de música que não seja boa, mas sabendo que não é boa música. E ouvi-la estará permitido desde que obedeça ao Tratado Internacional de Respeito aos Ouvidos Alheios. Pois acreditemos, boa música é bom para os ares, ouvidos e até olhares.

Eu sei, eu sei. Entendo essa questão das prioridades. Aliás, falo sempre delas. O problema é que ler algo como, por exemplo,  “Entendendo a metafísica” é um pouco confuso para mim. Não a metafísica, mas as pessoas que lêem sobre metafísica. De todas as coisas ruins que fazemos, a maior parte delas, exceto os pecados, estamos sempre dispostos a esquecê-las. Mas existem pessoas que ainda lêem sobre essas coisas. Não que entender a metafísica seja um pecado, eu, por exemplo, entendo a metafísica, do meu jeito, mas entendo, vejam, certa vez acordei com essa definição de metafísica na cabeça: “metafísica é o pão de queijo que você irá comer amanhã antes mesmo de ser feito.” A questão é ler sobre metafísica. É como se a cada gripe fosse necessário – ou tara, maybe – ler um livro sobre doenças infecto-contagiosas. As coisas chatas, via de regra, têm seu grau de chatice triplicado quando discutidas. Um exemplo, teses acadêmicas.  Até coisas maravilhosas tornam-se chatas quando discutidas; exemplo maior, a literatura. Ficamos assim: coisas chatas devem ser tratadas como leões famintos: não mexam com eles; os deixem quietinhos no fundo da jaula.

O RESTO ESQUECIDO DA FRASE

"Carpe diem, quam minima credula postero."

"Aproveita o tempo e desconfia do futuro."

HOMENS, LIVROS E CROCHÊ

Um país não se faz com homens e livros. Se faz com homens honestos e oportunidade a todos. Seja para a leitura ou o que quer que seja.  Essa estúpida idéia de incentivo a leitura não passa de uma fuga para tapar um buraco de incompetência educacional de um país. Leia-se e todos os problemas serão resolvidos. Conversa. A intelectualidade não serve para nada; pelo contrário, apenas invoca mais ideologias baratas e assassinas. Para economizar linhas: ler é hobby. Incentive-se o crochê, por exemplo. Teríamos uma nação conhecida mundialmente pela sua produção de colchas e toalhas de mesa. Pelo menos geraria empregos.

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